A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) renovou a inscrição do fabrico do barro preto de Bisalhães na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente.
A renovação decorre de uma decisão favorável do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO, após a submissão, em dezembro de 2025, do relatório quadrienal referente ao processo de confeção da louça preta de Bisalhães pelo município de Vila Real.
No relatório apresentado ao Comité Intergovernamental, a Câmara de Vila Real deu provas do “conjunto de diligências” levado a cabo para a salvaguarda deste património, nomeadamente os esforços para continuar a documentar o processo de confeção, bem como o apoio dado aos mestres oleiros e à própria comunidade local.
“A comunidade tem-se organizado num processo de modernização, de incremento de novas práticas dirigidas à utilização desta louça preta e à maneira como ela é apresentada. O município tem apoiado essas dinâmicas, que são naturalmente evolutivas, além de uma forma de perpetuar aquilo que é este património inqualificável”, destacou Alexandre Favaios.
A autarquia tem apostado, ainda, na capacitação, apoiando programas de formação, de sensibilização educativa, com o envolvimento de novos oleiros, mas com base no conhecimento ancestral “daqueles que ainda hoje são vivos”.
A Câmara de Vila Real conta, agora, dar seguimento “ao compromisso permanente” de preservação e valorização do barro preto de Bisalhães, nomeadamente através de parcerias, em especial a nível formativo, junto das escolas do concelho, a par da construção de um Museu na aldeia de Bisalhães.
“Este ano será lançada a empreitada para a realização do Museu da Louça Preta de Bisalhães, que será mais uma forma de divulgar, promover, incentivar, também de atrair novos públicos, atrair turistas, e de valorização deste património, num investimento superior a 600 mil euros. Já está o terreno adquirido, o projeto feito e, em breve, iremos lançar o concurso da empreitada”, adiantou o presidente.
O novo museu vai ocupar uma casa de habitação com cerca de 250 metros quadrados que remonta ao século XVIII, altura em que os oleiros se fixaram na aldeia, e onde ainda existe uma oficina de olaria e um forno onde de coziam as peças de barro.
O projeto visa a recuperação de parte desta habitação que ficará encaixada numa nova construção, onde haverá um espaço expositivo, um pequeno auditório e uma oficina experimental.
Fonte: Porto Canal

