
As coleções de arte Ellipse e do Banco Privado Português (BPP) vão passar para a tutela pública, na Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), anunciou esta terça-feira o primeiro-ministro, António Costa.
O Estado português passa, assim, a ser proprietário daquelas duas coleções de arte por via de uma troca de créditos, no valor de 34,86 milhões de euros, que tem junto da comissão liquidatária do BPP, depois de esta instituição bancária, liderada pelo banqueiro João Rendeiro (1952-2022), ter entrado em falência.
De acordo com o Ministério da Cultura, a coleção Ellipse passa para a tutela pública por contrapartida de cessão da sociedade de consultoria Holma, de um crédito no valor de 30,1 milhões de euros, enquanto a coleção de arte do BPP é incorporada por um valor de 4,76 milhões de euros.
As duas coleções, que somam 1.245 obras de arte contemporânea, de artistas como Nan Goldin, William Kentridge, Stan Douglas, Gabriel Orozco, Douglas Gordon, Helena Almeida, Lourdes Castro e Pedro Calapez, são integradas na Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE).
Segundo a tutela da Cultura, as obras da coleção Ellipse ficarão depositadas no futuro museu de arte contemporânea no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, juntamente com a coleção Berardo, e as obras de arte da coleção BPP ficam, na sua maioria, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, e uma parte no Banco de Portugal.
O ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, afirmou à Lusa que a coleção de arte do Banco Privado Português (BPP) passa a ser tutela do Estado para impedir que esta saia da Fundação de Serralves (Porto), onde está depositada.
“Se o Estado não ficasse com esta coleção [do BPP], ela poderia ser vendida. (…). Celebraremos um protocolo de depósito para que se mantenha em Serralves o que está em Serralves. Não sairá de Serralves”, sublinhou Pedro Adão e Silva à Lusa.
