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Morreu Paula Rego, uma das mais aclamadas e premiadas artistas portuguesas

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A dança, 1988
Paula Rego

A pintora Paula Rego, uma das mais aclamadas e premiadas artistas portuguesas a nível internacional, morreu ontem, dia 8 de junho, aos 87 anos.

Paula Rego estudou nos anos 1960 na Slade School of Art, em Londres, onde se radicou definitivamente a partir da década de 1970, mas com visitas regulares a Portugal, onde, em 2009, foi inaugurado um museu que acolhe parte da sua obra, a Casa das Histórias, em Cascais.

Maria Paula Figueiroa Rego, nascida em Lisboa a 26 de janeiro de 1935, numa família de tradição republicana e liberal, começou a desenhar ainda criança, um talento que lhe foi reconhecido pelos professores da St. Julian´s School, em Carcavelos, e partiu para a capital britânica com 17 anos, para estudar na Slade School of Fine Art.

Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para fazer pesquisa sobre contos infantis, em 1975, e em Londres viria a conhecer o futuro marido, o artista inglês Victor Willing, cuja obra Paula Rego exibiu por várias vezes na Casa das Histórias, em Cascais.

A Casa das Histórias, que abriu em Cascais em 2009, num projeto do arquiteto Eduardo Souto de Moura, detém um acervo significativo de obras da autora, e tem vindo a apresentar exposições sobre o seu trabalho ou de outros, sobretudo portugueses, com quem tem afinidades.

Na pintura de Paula Rego surgem diversas imagens típicas da infância, por vezes fetichistas e até traumáticas, relacionadas com a violência, e os animais são frequentemente os protagonistas da sua linguagem pictórica.

Nas últimas décadas, a pintora abordou temas políticos, como o abuso de poder, e sociais, como o aborto – entre outros, do universo feminino, e o seu trabalho foi influenciado pelos contos populares, e também pela literatura, nomeadamente a escrita de Eça de Queirós, que a levou a pintar quadros inspirados em livros como “A Relíquia” e “O Primo Basílio”.

Em 2010, foi ordenada Dama Oficial da Ordem do Império Britânico pela rainha Isabel II e, em Lisboa, recebeu o Prémio Personalidade Portuguesa do Ano atribuído pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal.

Para incentivar os jovens estudantes a desenhar, em 2016 foi criado o Prémio Paula Rego, galardão anual para atribuir a estudantes da Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

Paula Rego recebeu, em 1995, as insígnias de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, em 2004 a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, e em 2011 o doutoramento ‘honoris causa’ da Universidade de Lisboa, título que possui de várias universidades no Reino Unido, como as de Oxford e Roehampton.

Em 2019, foi distinguida com a Medalha de Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura.

A sua obra está representada em múltiplas coleções públicas, a nível nacional e internacional.

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