
Arqueólogos da Fundação Côa Parque colocaram a descoberto a gravura de uma cabra montesa numa placa de xisto com cerca de 12 mil anos, durante prospeções no Parque Arqueológico do Côa.
De acordo com a presidente da fundação, Aida Carvalho, esta placa de xisto agora descoberta representa uma cabra montesa que foi identificada num novo sítio com arte móvel no território do Parque Arqueológico do Vale do Côa, no concelho de Foz Côa, distrito da Guarda.
“Durante trabalhos de prospeção, a equipa de arqueologia da Fundação Côa Parque, juntamente com os estagiários de doutoramento Tania Mosquera Castro, da Universidade de Santiago de Compostela, e Ignacio Triguero, da Universidade de Alcalá de Henares, em Espanha, identificaram uma placa de arte móvel com a representação de uma cabra montesa, num novo sítio arqueológico do Vale do Côa”, explicou a responsável.
Segundo os investigadores, a arte móvel é um tipo de arte paleolítica que se inscreve em suportes de pequeno tamanho (pedra, osso, haste ou marfim), passíveis de serem transportados.
“A placa de xisto encontra-se queimada e apresenta numa das faces a representação dos quartos dianteiros do que parece ser uma pequena cabra montesa, que segue um segundo animal de maior tamanho, cuja cauda curta e encurvada sugere tratar-se de um veado ou de uma cerva, ao qual falta a cabeça devido a fratura do suporte”, explicou à Lusa o diretor científico da fundação, Thierry Aubry.
De acordo com o especialista em arte rupestre, estas figuras apresentam os corpos muito geometrizados e são gravadas por incisão, o seu interior encontra-se totalmente preenchido por linhas igualmente incisas, um tipo de preenchimento a que os arqueólogos chamam “preenchimento estriado”.
Aubry realçou que, apesar de se tratar de um achado de superfície, o estilo das representações remete para a fase “azilense da Arte do Côa”, com uma cronologia de cerca de 12 mil anos atrás.
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Fonte: JN
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