
A pandemia vai ficar na memória de quem a viveu – de quem está no mundo agora, pois o mundo inteiro é afetado por ela – mas muito depois de este tempo passar vão ser precisos registos de outro género: visuais, físicos, sonoros, textuais. Das máscaras faciais e dos ventiladores às notícias de imprensa e aos vídeos no Twitter, passando por informação médica e por testemunhos de profissionais de saúde, bem como de cidadãos privados, as possibilidades são infinitas.
Para recolher esses elementos, museus e sociedades históricas puseram-se em campo. Nos Estados Unidos, os museus da Smithsonian Institution, sediada em Washington, já estão a constituir coleções sobre a pandemia. Um deles, o National Museum of African American History and Culture, põe em relevo a incidência especial do vírus nas comunidades negras do país (mesmo um kit de teste pode ser um símbolo de desigualdades raciais e de classe, explica uma curadora).
Em Los Angeles, o museu do oeste americano também anda a recolher artefactos relativos à covid-19 – entre eles o diário de um menino de seis anos. Na Europa, segundo a “Deutsche Welle”, o Museu Histórico Alemão em Berlim e o Museu da Cidade de Colónia vão expandir as suas coleções, fazendo ligações a elementos que já existem nelas, incluindo alguns referentes a epidemias do passado. E na Austrália, várias instituições estão a recolher imagens e testemunhos da vida em confinamento.
São exemplos de uma atividade que está a começar pelo mundo fora. Com a abundância de imagens e outros registos hoje disponíveis, não vai faltar material. Tal como noutras áreas, a pandemia pode ser um estímulo para muitos avançarem para modos de funcionamento que já eram possíveis, mas ainda não tinham sido realmente adotados.
Fonte: Expresso

