
O Museu de Lisboa homenageia José Cardoso Pires exibindo, no dia 29, um filme de Manuel Mozos sobre o escritor, seguido de um debate que abarca também uma exposição de fotografia sobre o autor de “Lisboa, Livro de Bordo”.
“José Cardoso Pires – Diário de Bordo” foi filmado no ano em que o escritor recebeu o Prémio Pessoa (1997), retratando aquele que é considerado um dos grandes autores de língua portuguesa, com um percurso marcado por obras como “O Delfim”, “O Hóspede de Job”, “Anjo Ancorado”, “Jogos de Azar”, “Balada da Praia dos Cães”, “Alexandra Alpha”, “A Cavalo no Diabo” e “De Profundis, Valsa Lenta”.
A vida e a escrita, o cinema, o erotismo e a morte são alguns dos temas deste filme, rodado em Lisboa e na Caparica (o refúgio do escritor), no Outono e Inverno de 1997.
José Cardoso Pires nasceu em outubro de 1925, na freguesia de São João do Peso, em Vila de Rei, na Beira Baixa, mas mudou-se para Lisboa ainda pequeno, cidade onde morou e onde morreu, em outubro de 1998.
Escreveu os primeiros contos aos vinte anos, trabalhou em vários empregos, que não conseguia manter, inscreveu-se na Marinha Mercante, que abandonou, depois de acusado de indisciplina, e cursou matemática que não acabou.
Autor de dezoito livros, publicados entre 1949 e 1997, José Cardoso Pires não se identificou com nenhum grupo nem corrente, nem se fixou em nenhum género literário, tendo sido sobretudo romancista.
O movimento neorrealista foi aquele em que permaneceu durante mais tempo, até ao 25 de Abril, o que justificava com a oposição ao regime autoritário.
José Cardoso Pires frequentou também os grupos surrealistas, no início da década de 1940, e foi influenciado pela estética de Hemingway e pela narrativa cinematográfica.
Vencedor de vários prémios literários, o escritor viu muitas das suas obras serem adaptadas ao teatro e ao cinema, nomeadamente por Luís Galvão Teles (“A Rapariga dos Fósforos”), Lauro António (“Casino Oceano”), Eduardo Geada (“Ritual dos Pequenos Vampiros”), José Fonseca e Costa (“Balada da Praia dos Cães”) e Fernando Lopes (“O Delfim”).
Fonte: RTP
