Lisboa terá um novo museu em 2020

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O “Quake – Centro do Terramoto de Lisboa” tem prevista a sua inauguração em 2020. Localizado junto ao Museu Nacional dos Coches, vai custar cerca de seis milhões de euros e tem previstos 250 mil visitantes por ano.

O museus é uma iniciativa da empresa Turcultur, gerida pelos empresários Ricardo Clemente e Maria João Cruz Marques. Nas três áreas principais do edifício — cave, piso térreo e primeiro andar — será instalada tecnologia que permite entender a época e fazer uma viagem realista aos momentos assustadores do tremor de terra e do maremoto que se seguiu.

O espaço vai ser construído numa terreno da Rua da Junqueira, tal como a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou a 19 de julho. O projeto é assinado pelo gabinete Fragmentos de Arquitetura, fundado em Lisboa em 1994 e responsável por vários edifícios de escritórios e de habitação em Portugal e Angola.

Os conteúdos vão ser apresentados em português, inglês, espanhol e francês. O visitante começa por ser informado sobre temas de sismologia e proteção civil, depois é convidado a embarcar numa viagem virtual até meados do século XVIII. Caminha pela Lisboa daquela época, entra numa igreja e aí testemunha o terramoto. “Os bancos da igreja estão assentes numa plataforma hidráulica, sincronizada com mapeamento de vídeo, som, simuladores de odor, de fumo e de calor”, descrevem os documentos. “Na sequência dos abalos, por entre várias marcas de destruição, abre-se uma enorme racha na parede, através da qual os visitantes são convidados a fugir.”

A sala seguinte simula o tsunami que atingiu Lisboa naquela manhã de 1 de novembro de 1755. Por fim, há informações sobre a corte portuguesa e os efeitos da catástrofe no pensamento e na cultura da época. Mais do que interatividade, o museu procura proporcionar uma “experiência imersiva”.

Os conteúdos terão ainda de ser produzidos e para isso a Turcultur contactará historiadores portugueses especialistas no Terramoto de 1755. A apresentação de conteúdos e  a estratégia de desenho interior das salas está a cargo da empresa holandesa JoraVision, responsável pela idealização de parques temáticos e museus um pouco por toda a Europa.

Uma da pretensões da promotora é a de “partilhar conteúdos com o visitante” enquanto este passeia pela cidade de Lisboa, daí que esteja planeado o lançamento de uma aplicação de “realidade aumentada”, para que zonas como o Terreiro do Paço possam ser vistas no local e através do telemóvel tal como eram antes do terramoto.

O acordo entre o município e a Turcultur não está isento de polémica. A cedência do terreno por um período de 50 anos e a renda anual de 24,4 mil euros que o Quake irá pagar originaram críticas à direita e à esquerda. Ao nível da Câmara, a proposta apresentada por Manuel Salgado teve os votos contra de PSD, PCP e BE. Na Assembleia Municipal, apenas PS, CDS, MPT e um deputado independente votaram a favor. A  falta de informação sobre aos conteúdos do museu e a inexistência de concurso público foram alguns dos argumentos apresentados pela oposição.

Ao aprovarem a cedência do terreno, os deputados municipais votaram também a 19 de julho, por maioria, uma recomendação da Comissão de Cultura onde se lê que “falta uma contextualização científica sólida para o projeto avançar” e que os achados arqueológicos que venham a ser encontrados no decorrer das obras do edifício devem ser preservados e integrados no acervo do próprio museu.

Fonte: Observador

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