Foi identificado o rosto de uma mulher que durante mais de 140 anos esteve escondido no quadro Retrato de Mulher de Edgar Degas. O impressionista francês pintou o rosto de uma jovem modelo, identificada agora como Emma Dobigny, anos antes de concluir o famoso quadro da mulher de preto.
O rosto da mulher francesa foi encontrado por especialistas que, usando uma técnica de fluorescência de raios X, revelaram o desenho que as primeiras camadas de tinta na tela formaram.
O Retrato de Mulher foi pintado no final da década de 1870 e está em exposição na Galeria Nacional de Vitória, na Austrália. Degas é conhecido por representar cenas do quotidiano e principalmente a figura feminina nas suas obras.
A imagem da modelo que os investigadores acreditam ser Emma está de cabeça para baixo e foi pintada pelo menos sete anos antes do Retrato de Mulher, o que quer dizer que o autor virou a tela ao contrário e pintou por cima.
Os especialistas concluíram também que Degas não acabou o quadro de Emma, antes de o repintar.
A existência de uma imagem anterior já tinha sido comprovada. Pintar por cima de outros quadros era uma prática comum dos artistas da altura, mas Degas fê-lo de uma forma tão leve em 1870, com camadas de óleos tão finas, que em 1922 especialistas de arte já discutiam qual seria a imagem por baixo da mulher de preto, segundo o The Guardian.
Descoberta a resposta, foi possível identificar os traços de Emma Dobigny, uma modelo francesa cujo verdadeiro nome era Marie Emma Thuilleux.
A francesa posou para Degas e outros artistas durante cerca de 20 anos. Especialistas afirmam que a mulher assumiu vários papéis na sociedade da altura, desde lavadeira até se tornar uma burguesa.
Numa carta de Degas para a jovem, que agora também faz parte de uma coleção de arte, o artista francês mostrava alguma ansiedade para voltar a pintar Emma Dobigny. “Pequena Dobigny, outra sessão e imediatamente se for possível”, escreveu o pintor.
Henri Loyrette, ex-diretor do museu do Louvre, pôs a hipótese de os dois terem tido um relacionamento amoroso. Loyrette afirmou que Degas caracterizava Emma nos quadros da mesma forma que o fazia quando pintava as pessoas mais próximas de si.
A técnica de fluorescência de raios X pode ajudar a revelar os segredos de outras obras de arte e a confirmar a autenticidade de outros quadros, conforme o artigo publicado esta quinta-feira noScientific Reports.
A reconstrução do rosto de Emma demorou cerca de 33 horas e quando ficou completa foi possível dar cor à imagem, usando os elementos químicos do quadro. Isto deu uma ideia aproximada de como era o original.
Fonte: DN
