Museu do Fado disponibiliza "online" 3 mil gravações de 1900 a 1950

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Cerca de 3 mil gravações de fados da primeira metade do século XX vão ser disponibilizadas ‘online’, a partir de hoje, através do sítio do Museu do Fado, na internet, disse à Lusa a diretora da instituição, Sara Pereira.

“O Arquivo Sonoro Digital foi desenvolvido no quadro do Plano de Salvaguarda inerente à inscrição do Fado na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, e trata-se de um importante projeto de proteção, estudo e valorização do património fonográfico português, e todo o programa foi desenvolvido em conformidade com as normas e protocolos da International Association of Sound and Audiovisual Archives [IASA]”, disse a responsável.

Sara Pereira afirmou que o “acesso é livre” e as gravações “devidamente tratadas e digitalizadas” situam-se, cronologicamente, entre 1900 e 1950, sendo “cerca de metade de ainda antes da gravação elétrica, isto é anterior a 1927”.

Os discos a disponibilizar ‘online’ foram publicados por 43 companhias fonográficas, “sendo o maior catálogo o da alemã Odeon (974) seguido da inglesa Columbia (964)”. “Cerca de 1.531 discos foram gravados acusticamente, isto é, [são] anteriores a 1927, e 1.217, em gravações elétricas”, adiantou à Lusa.

O Arquivo Sonoro Digital “inclui discos do Museu, da coleção Bruce Bastin, adquirida pelo Estado português em 2009, e incluirá, no futuro, repertórios na posse de outras instituições que se queiram associar a nós [Museu do Fado]”.

Sara Pereira estima que, entre arquivos, museus e colecionadores particulares, existem 30.000 repertórios de fado, “e a ideia é que todo esse inventário seja inserido no Arquivo Sonoro”.

Entre as vozes que será possível ouvir está a da Júlia Florista, uma das figuras lendárias da história fadista, mas as primeiras gravações são dominadas por atores do teatro de revista, segundo Sara Pereira.

“Encontrámos 62 repertórios interpretados pela famosa Júlia Mendes e 12 faixas de Maria Vitória, e ainda vários discos da famosa Júlia Florista ou de Manassés de Lacerda, e ainda gravações de importantes guitarristas como Petroline, Carmo Dias, Armandinho ou Artur Paredes”.

As 3.000 gravações, segundo dados disponibilizados por Sara Pereira, representam 529 intérpretes e 948 pessoas diretamente envolvidas, entre compositores, instrumentistas, letristas, orquestras, maestros, etc..

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Fonte: DN

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