A directora-geral do Património Cultural, Paula Silva, inviabilizou há duas semanas o projecto que previa a substituição da quase totalidade da Vila Martel por um edifíco semi-enterrado, com 12 pisos para estacionamento e dois para hotelaria. O projecto, que conta com o apoio dos responsáveis dos serviços de Urbanismo da Câmara de Lisboa, terá agora de ser revisto, embora tenha ficado aberta a porta a um aumento da altura da construção existente.
A Vila Martel compreende um conjunto de 9 habitações térreas, parte delas habitadas, contíguas e todas iguais — como na generalidade das antigas “vilas operárias” de Lisboa —, e quatro casas anexas, duas em cada extremidade, com características distintas. Estas últimas serviram de atelier, desde 1883 até 2015, a pintores como Columbano, José Malhôa, Carlos Reis, Eduardo Viana, Jorge Colaço e Nikias Skapinakis, que lá trabalhou até há cerca de um ano. Também o escultor Francisco Franco lá concebeu muitos dos seus trabalhos, entre os quais a estátua do Cristo Rei, em Almada.
Situada na encosta que desce do Jardim de São Pedro de Alcântara e da Rua D. Pedro V para a Av. da Liberdade, a Vila Martel encontra-se num espaço fechado, só visível da encosta fronteira, designadamente do jardim do Torel, e com um único acesso por um discreto portão de ferro existente na Rua das Taipas, perto da Praça da Alegria.
Fonte: Público
