O curador da candidatura conimbricense a Património da Humanidade da UNESCO, o professor Raimundo Mendes da Silva, é o coordenador científico do plano de acção que a Câmara de Viseu dedica ao patromónio e que tem como horizonte a candidatura do Centro Histórico desta cidade a Património da Humanidade. Nesta terça-feira, o grupo de reflexão criado em 2015 para avaliar as condições da candidatura, na apresentação das conclusões, admitiu haver um conjunto monumental com potencial para ser reconhecido como Património Mundial, mas que ainda é necessário realizar estudos para consolidar o edificado com o valor excepcional necessário para alcançar tal distinção.
O plano de acção agora anunciado arranca de imediato e estende-se durante oito anos, tendo em vista o conhecimento, a protecção e a valorização do património cultural, material e imaterial, da cidade e da sua história profundamente ligada à ideia de nacionalidade.
Segundo Raimundo Mendes da Silva, a primeira fase, com uma duração de 18 meses, vai permitir a criação de uma agenda de investigação local e de uma carta patrimonial com descrição histórica dos espaços e edifícios, o seu estado de conservação, integridade e autenticidade. Será ainda desenvolvido um manual de reabilitação, no qual estarão inseridos exemplos de boas prácticas realizadas em edifícios.
“Há imensa informação que não se conhece ou não está disponível e este trabalho vai colocar Viseu como um foco de atenção para a investigação”, realçou o professor, especialista em reabilitação de edifícios e na gestão e salvaguarda de património cultural. O também vice-presidente do Instituto Pedro Nunes sustentou que todo o plano de acção não é só “um caminho para se fazer um dossier de candidatura, mas envolve um projecto de “grande abrangência para uma reabilitação urbana integrada”.
Depois da primeira fase, segue-se a segunda que visa a operacionalização da estratégia para a promoção do reconhecimento nacional e internacional (2017 a 2021). A terceira fase, entre 2020 e 2021, é para a elaboração do dossier da candidatura, enquanto que a quarta fase (entre 2022 e 2023) propõe-se a fazer a execução de medidas. A última fase, para desenvolver entre os anos de 2023 e 2024 é para avançar com a inscrição na lista de Património da Humanidade.
O presidente da Câmara, Almeida Henriques, realçou que este é um “plano de resgate” e será constituído por “uma maratona com vários sprints”.
“Propomo-nos resgatar 2.500 anos de história, trazer ao de cima os aspectos mais relevantes deste percurso muito rico que Viseu tem, quer do ponto de vista do património físico, quer do património imaterial”, disse.
Segundo o autarca, uma eventual classificação na lista de Património da Humanidade da UNESCO “será sempre a cereja em cima do bolo, mas a valorização do património é a consequência natural deste processo”.
Fonte: Público

