A polémica lei que cativa aos refugiados chegados às suas fronteiras bens sem valor sentimental superiores a 1340 euros foi aprovada terça-feira por larga maioria no parlamento dinamarquês e os protestos foram imediatos. O artista chinês Ai Weiwei, um dos mais respeitados e influentes na actualidade, não demorou a juntar actos e palavras. No dia seguinte à aprovação da lei, anunciou o encerramento da exposição Ruptures, que teria patente na Fundação Faurschou, em Copenhaga, até 15 de Abril, e retirou-se da colectivaA New Dinasty. Created In China, em Aarhus.
Ai Weiwei, que se encontra neste momento na ilha grega de Lesbos, onde documenta a chegada diária de refugiados às suas praias, depois da desesperada e muitas vezes mortal travessia do Mediterrâneo, anunciou os cancelamentos com um comunicado publicado na sua conta de Facebook e Instagram, justificando-os pela “aprovação por parte do parlamento dinamarquês da proposta de lei que permite apreender bens e atrasar a reunião familiar dos requerentes de asilo” [a lei aprovada terça-feira impõe também que os refugiados tenham que aguardar um mínimo de três anos antes de se poderem reunir com as famílias em solo dinamarquês].
Numa carta enviada ao Museu de Arte de Aarhus, que divulgou nas redes sociais, Ai Weiwei declarou-se “chocado” com a decisão do governo dinamarquês e afirmou que, face a ela, se viu obrigado, “em protesto”, a retirar-se da exposição conjunta. Jens Faurschou, coleccionador e fundador da Fundação Faurschou, em Copenhaga, manifestou a sua solidariedade para com a decisão de Ai Weiwei através de um comunicado publicado nas redes sociais do museu. “Jens Faurschou apoia a decisão do artista e lamenta que o parlamento dinamarquês escolha estar na linha da frente de políticas simbólicas e inumanas relativamente à maior crise humanitária da actualidade na Europa e no Médio Oriente, em vez de estar na linha da frente de uma solução europeia respeitável para a resolução da grave crise humanitária”.
A lei aprovada esta terça-feira tem merecido repúdio e protestos de vários quadrantes, com várias associações de direitos humanos a compararem a chamada “lei das jóias” aos confiscos efectuados pela Alemanha nazi aos bens da população judaica.
Fonte: Público

