Entrar num museu e tirar uma selfie: um novo olhar sobre o objecto artístico

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Enquanto estamos num museu – em qualquer museu – há outro museu a acontecer nas redes sociais: mais pessoal e em constante actualização. Na galeria física tiram-se fotografias às paredes com telemóveis e tablets e com esses mesmos aparelhos elas vão parar aos feeds do facebook, do instagram ou do twitter – umas vezes mostra-se só a pintura, outras está alguém ao lado como se dissesse “eu estou aqui”. A National Gallery de Londres é um dos últimos grandes museus a acabar com a proibição de fotografar – as vozes mais críticas dizem que é o fim de um dos grandes templos de contemplação da arte e que nasceu uma central deselfies.

Quando em Julho a National Gallery passou a permitir fotografias, começou também a oferecer uma rede wi-fi aos seus visitantes para que “partilhem as suas experiências com amigos e família através das redes sociais”, escreveu Nicholas Penny, director do museu, num comunicado de imprensa. Fê-lo sem anúncio prévio: apenas começou a deixar que se tirassem fotografias, desde que sem flash. Bastou para que se instalasse a polémica.

“Tenho que dizer que um pouco da minha alma morreu de cada vez que alguém fotografava uma obra ou, pior, tirava uma selfiesem sequer ver a peça com os seus próprios olhos”, escreveu um visitante da National Gallery, que tem seis milhões de visitantes por ano, numa carta ao blogue Art History News. Michael Savage, autor do blogue Grumpy Art Historian, escreveu que a colecção de pintura que tem obras como A Virgem dos Rochedos, de Leonardo da Vinci, Vénus e Marte, de Botticelli ou Os Girassóis, de Van Gogh, se ia tornar numa “central de selfies”.

F onte: público

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