O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, que aloja uma das mais importantes colecções portuguesas, é também uma das estruturas museológicas nacionais com maior dificuldade em se expandir fisicamente.
Encaixado entre a cota elevada da Rua das Janelas Verdes e a cota baixa, ao nível do rio Tejo, da Avenida 24 de Julho, debate-se com diferentes problemas de exiguidade de espaço. Desde a inexistência de área útil para o crescimento das reservas, passando pela biblioteca, espacialmente também deficitária, são diversas as valências do museu que se encontram constrangidas como resultado directo da impossibilidade em ampliar as suas instalações.
O MNAA sofre ainda problemas de acessibilidade, numa cidade cada vez mais vocacionada para o turismo de massas, ao localizar-se numa zona de difícil acesso rodoviário e com limitação ao estacionamento privado. A travessia da 24 de Julho, quer sobre as quatro faixas de rodagem quer sobre a linha ferroviária, tem sido tradicionalmente um dos temas urbanos mais debatidos. E arquitectos como Eduardo Souto de Moura em 1993 têm produzido propostas que acabam por não ser concretizadas. Recentemente, a Câmara Municipal de Lisboa anunciou a intenção de transformar esta via rápida num boulevard, uma alameda arborizada e com faixas mais lentas de tráfego.
É no âmbito de um debate em torno da ampliação do MNAA que os alunos do 4º ano do Mestrado Integrado em Arquitectura do Instituto Superior Técnico (IST), supervisionados pelos arquitectos Ricardo Bak Gordon e José Mateus, apresentaram um conjunto de 22 propostas. Uma exposição de trabalhos que sintetizam as reflexões dos alunos, inaugurada esta semana no átrio principal do MNAA, permanecerá montada até ao final de Setembro. Os trabalhos resultam de uma parceria entre esta instituição de ensino superior e a autarquia, através do vereador Manuel Salgado. A cada novo ano lectivo, os alunos são desafiados a abordarem problemas urbanos e arquitectónicos da cidade cuja resolução represente um impasse. No caso dos projectos para a ampliação do MNAA, o processo envolveu um programa de funções para o museu elaborado em conjunto entre autarquia, professores, alunos e instituição. Ainda como ponto de partida, foi respeitado o traçado da Avenida 24 de Julho que a câmara pretende implementar.
Fonte: Público

