A venda de menos de 5% do acervo do Instituto de Artes de Detroit, no Estado do Michigan, nos EUA, iria ajudar a cidade berço da indústria automóvel, hoje mergulhada na falência e numa dívida de 18,5 mil milhões de dólares (13,3 mil milhões de euros) que não consegue pagar, a renascer das cinzas. Mas o assunto é controverso.
A leiloeira nova-iorquina Christie’s avaliou entre 452 milhões de dólares (cerca de 333,6 milhões de euros ao câmbio atual) e 866 milhões de dólares (639,2 milhões de euros) apenas uma pequena parte da coleção. Mas admite que dependendo do interesse que despertar o leilão a venda pode atingir um valor superior.
A avaliação, pedida pelo gestor de falências, só incidiu em 2773 das 66 mil obras do museu, limitando-se exclusivamente às peças compradas total ou parcialmente pelo município e deixando de fora as provenientes de doações, cuja venda teria mais riscos de dar origem a processos judiciais.
Mas deste pequeno núcleo fazem parte telas de interesse mundial, como A dança do casamento, de Bruegel, a mais valiosa da coleção (cerca de 147 milhões de euros), um autorretrato de Van Gogh (111 milhões de euros), ou A Visitação, de Rembrandt (66,4 milhões de euros). A própria Christie’s salientou que 75% do valor avaliado assenta em apenas 11 das quase três mil obras selecionadas, sem no entanto revelar quais.
Mesmo assim há quem defenda que face à situação de Detroit e do próprio museu, também em rutura financeira, toda a coleção deveria ser vendida. Esta é igualmente a posição dos maiores credores, que afirmaram em tribunal que a coleção do museu não é um ativo essencial da cidade e que deveria, portanto, ser usado para saldar as dívidas.
Fonte: Dinheiro Vivo

