Telas que se transformam em olhares e que convidam o espectador a entrar nesse corpo, e nessa alma escondida é a próxima aposta do projecto artístico “José Rosinhas Art Gallery Wall”. No próximo dia 16 de fevereiro e até a 15 de março, apresenta-se uma exposição individual de Do Carmo Vieira intitulada “Olhares que refletem a alma”.
A artista plástica Do Carmo Vieira, de seu nome Maria do Carmo Alves Vieira, nasceu em Vila Pouca de Aguiar na década de cinquenta do século XX. Do seu percurso estudantil destaca-se o Curso de Produção Artística na Escola Artística Soares dos Reis, e neste momento é finalista da Licenciatura de Artes Plásticas no ramo de Pintura, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
Podemos adivinhar de que Mulheres é que se tratam, e rapidamente constatamos que se tratam de Mulheres vítimas de algo profundo e dramático que aconteceu nas suas vidas.
Não se reconhece a sua nacionalidade, mas reconhece-se-lhe o género, o feminino, um olhar tão profundo e intenso só poderia ser o de uma Mulher. Os olhares apresentados convidam a associar figuras femininas que já passaram por essa violência física, a clitoridectomia.
Como é do conhecimento geral a Clitoridectomia é a circuncisão feminina, ainda praticado nos países do norte do continente africano. A sua prática ocorre principalmente em países onde o islamismo é a principal religião.
Como a clitoridectomia é o retrato da submissão feminina às opiniões dos homens da sociedade, os olhares apresentados na exposição são o retrato de uma indignação e de revolta a tais actos. O estimulante desta exposição é “olhar” para uma obra de uma mulher artista que convida o público à reflexão da condição feminina na sociedade contemporânea deste novo milénio.
Quando no cinema queremos dar enfase a uma expressão fazemos um close-up, é exactamente isso que a artista faz, um close-up pictórico em que pinceladas e cores intensas são também protagonistas.
Com esta mostra pretende-se suscitar um pensamento crítico sobre a arte contemporânea e o seu papel ainda como de denúncia de actos brutais contra o Ser Humano.

