O director do Instituto dos Museus e da Conservação João Brigola, afirmou à agência Lusa, que esta mudança de tutela dos museus da rede nacional, que detém 29 e mais cinco palácios nacionais, não significa que essa tutela passe para outro ministério.
“Estes museus continuam sob a tutela do Ministério da Cultura, mas em vez de responderem ao organismo central [IMC], passam a reportar às respectivas direcções regionais de cultura“, explicou, lembrando que o objectivo é fazer uma “descentralização ou desconcentração” daquelas unidades museológicas.
Desta forma, o Museu da Cerâmica, nas Caldas da Rainha, o Dr. Joaquim Manso, na Nazaré, e o de Arte Popular, em Lisboa, passam para a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, e o Museu da Guarda, passam para a Direcção Regional do Centro, o Museu Abade de Baçal, em Bragança, o Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, e o Museu dos Biscainhos, em Braga, passam para a Direcção Regional do Norte.
Para a Direcção Regional do Alentejo passará futuramente o Museu da Música, instalado ainda em Lisboa, mas no projecto do IMC, deverá ser instalado no Convento de São Bento de Cástris, em Évora.
Quanto à Casa-Museu Anastácio Gonçalves deverá ser transformada num pólo do Museu do Chiado, e o Museu de Etnologia do Porto, instalado no Palácio de São João Novo, num imovel em ruinas e que se encontra encerrado desde 1992, deixará pura e simplesmente de existir.
Por seu turno João Brigola disse que o conteúdo deste museu do Porto se encontra “devidamente tratado e protegido e disperso por vários museus do país“.
A reformulação orgânica do IMC deverá estar definida em breve numa portaria que será futuramente complementada por protocolos a assinar com estes museus, que, disse o director daquele instituto, “não são nacionais“.
“Esta afectação de museus a direcções regionais é uma possibilidade legal contemplada pelo PRACE [Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado] e constituía o primeiro eixo estratégico do plano para a área dos museus apresentado há um ano” pela nova direcção do IMC, afirmou João Brigola.
O director do IMC lembrou que o processo começou nessa altura com rondas de contactos com os directores de museus e que, “no início houve algum sobressalto, mas depois de prestados os devidos esclarecimentos, nenhum contestou a mudança“, lê-se ainda na notícia da agência Lusa.
Sobre as críticas que têm vindo a público, na imprensa, João Brigola disse que apenas recebeu uma carta da historiadora de arte Raquel Henriques da Silva – representante das universidades na secção de museus do Conselho Nacional de Cultura.
“A doutora Raquel Henriques da Silva escreveu-me a pedir uma reunião urgente do Conselho, dando um prazo de 48 horas, mas eu não reajo a ultimatos destes“, disse o director do IMC, esclarecendo que tudo será informado e esclarecido em sede própria, ou seja na reunião ordinária marcada para Abril.
“Estas mudanças não são da competência do conselho porque só é necessário pedir um parecer quando se trata de museus nacionais“, esclareceu.
Fonte: Jornal HardMusic
