Serralves XXI

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Serralves tem sido um exemplo de sucesso do modelo de parceria público-privada na área da Cultura. O investimento do Estado na Fundação de Serralves (4,1 Milhões de euros em 2010) é actualmente cerca de metade do seu orçamento total anual, o que significa que o meio empresarial português, em particular do Norte, abraçou Serralves e participa na Fundação de forma empenhada e solidária, revendo-se no projecto e, de certa forma, apropriando-se dele, no melhor sentido da palavra. Somos mais ricos hoje em Portugal, porque temos Serralves. Somos mais esclarecidos, porque temos Serralves, que nos situa e nos projecta artisticamente. Vem isto a propósito da entrevista de Braga da Cruz ao Expresso desta semana, onde o actual presidente do Conselho de Administração fala das limitações de financiamento na conjuntura actual, quer por parte do Estado quer por parte do sector privado, que obrigam ao cancelamento do novo projecto “Serralves XXI “ em Matosinhos por falta de meios financeiros para garantir a componente nacional da candidatura QREN já aprovada. Serralves XXI é um interessante projecto de arquitectura, da autoria da dupla de arquitectos japoneses, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, galardoados com Pritzker Architecture Prize 2010. Foi concebido para aumentar a capacidade do actual Museu de Serralves e instalar novos espaços para guardar as reservas das colecções  de Serralves e de acervos privados, para além de integrar ainda um centro de exposições e um cluster empresarial para as indústrias criativas. Tudo isto numa área de 8.000 m2 com um impacto significativo na requalificação urbana da zona. A arte, a arquitectura, as indústrias criativas, a requalificação urbana, tudo se conjuga no sentido certo, no sentido de uma concepção global e estratégica de toda uma linha de valor associada às artes visuais. Em Dezembro, estive em Serralves e partilhei de imediato do entusiasmo do Dr. Gomes de Pinho e da restante administração perante a apresentação de Serralves XXI; e desde logo se revelou evidente o interesse na viabilização do seu financiamento. Em contacto frequente com o actual presidente, Eng. Braga da Cruz, pusemo-nos em campo a tentar encontrar forma de o Estado financiar parte do projecto. Mas decorridos os primeiros meses de 2010, tornou-se claro para todos os Fundadores de Serralves que a situação económica que se desenhava dia-a-dia, não augurava desafogo financeiro para novos projectos. O Estado, e em particular o MC, na situação actual portuguesa, não consegue dispor de 12 milhões de euros para alocar a esta candidatura. Este é mais um exemplo de linhas estratégicas com capacidade de moldar o futuro que têm de ser adiadas. Espero sinceramente que num futuro próximo este projecto possa ser retomado.

Fonte: http://bloguedacultura.blogspot.com/

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